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Amor não enche barriga, nome não ganha título

Foto: Tossiro Neto (@tossiro)


Não, o Palmeiras não precisa de mais nomes de peso. Estrutura, planejamento e competência: esses são os pilares do sucesso esportivo. Contratações milionárias, histeria em redes sociais e nomes, por si só, não garantem nada. É claro que com jogadores de qualidade é muito mais fácil ser campeão, mas é preciso entender que nem só de status viverá um clube de futebol. Basta lembrar que o SPFC dominou o futebol brasileiro nos anos 2000 com times pouquíssimo badalados, focando na equidade dos elencos e estrutura de primeira linha. O mesmo aconteceu com o SCCP a partir de 2009 e com o Palmeiras desde 2015. As contratações midiáticas, geralmente, tem como principal mote uma visão de curto prazo e está muito ligada na visão do dirigente, de ficar bem com a torcida e principalmente, angariar capital político. Os profissionais do futebol, que entendem do riscado, sabem que isso não garante absolutamente nada.
Para exemplificar, trago a lista dos jogadores premiados como Bola de Ouro pela revista placar neste século. Dos vencedores do prêmio, a maior parte foi formada na base dos respectivos clubes: Kaká (2002), Robinho (2004), Lucas Leiva (2006), Rogério Ceni (2008), Neymar (2011), Gabriel Jesus (2016) e Jô (2017). Muitos também chegaram sem muito alarde, e apesar da reconhecida qualidade, não custaram muito. São os casos de Alex (2003), Adriano(2009), Conca (2010), Éverton Ribeiro (2013) e Renato Augusto (2015). Outros eram completos desconhecidos, casos de Alex Mineiro (2001) e Ricardo Goulart (2014). Em dezoito edições neste século, ganharam o bola de ouro após chegarem como contratações caras e badaladas apenas: Tévez (2005), e Dudu (2018). Ainda que se possa discutir se Dudu foi realmente caro (3 mi de Euros). Uso o campeonato brasileiro como parâmetro pois é o campeonato mais longo da temporada, e costuma demonstrar melhor o sucesso das contratações. Mas se analisarmos os brasileiros campeões das últimas edições, só Atlético MG (2013), levantou a taça da América com um time recheado de estrelas. SPFC (2005), Internacional (2006 e 2010), Santos (2011), SCCP (2012) e Grêmio (2017) tinham equipes formadas a partir de oportunidades de mercado e categorias de base. Os três elementos citados na primeira linha desse tempo costumam gerar muito mais resultados do que nomes de impacto.

Historicamente, os dirigentes dos clubes brasileiros utilizaram compra de jogadores badalados para iludir o torcedor. Passando pelas compras mais caras dos nossos clubes, é impossível não arregalar os olhos com Wesley, contratado por 6 milhões de Euros pelo Palmeiras; Alexandre Pato, que custou 15 milhões de Euros ao SCCP; Leandro Damião, comprado por 13 milhões de Euros pelo Santos; entre tantos outros. Quando um clube está procurando nomes, e pagando valores muito acima da normalidade por eles, desconfiar seria o mais interessante. Maior nenhum torcedor fará isso: a empolgação será sempre maior.
Fique calmo, palestrino. O Palmeiras manterá a base do atual campeão brasileiro, tudo indica que manteremos também o nosso comandante, que nesta temporada terá pré-temporada e tempo para ajuste fino, além das contratações que preenchem importantes lacunas deixadas no ano que se foi. “Ah, então você quer dizer que o Goulart não deve vir”? Não, é óbvio que eu vibraria com essa contratação, mas desde que não representasse uma loucura, e sabendo que o Felipão conhece o jogador e sabe como encaixá-lo no time. Mas confesso que, particularmente, a contratação mais comemorada para esse ano seria a permanência de Dudu. O maior artilheiro desse século é a nossa maior chance de um ídolo histórico desde a aposentadoria de Marcos, seria histórico. De qualquer forma, com a chegada de nomes de velocidade e meio-campistas, temos um elenco muito equilibrado e quase três times. A lógica é o Palmeiras entrar forte em todas as competições, e isso não vai mudar porque A ou B estão trazendo nomes de peso. Parafraseando Paulo Nobre: CALMA, TRANQUILIDADE.

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