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Minuto de Análise - Expectativas vs realidade

Foto: Cesar Greco
A pior coisa que alguém pode fazer, em praticamente qualquer assunto na vida, é ter expectativas desconectadas da realidade. É sempre bom perceber o que se pode esperar de alguém antes de criar esperanças. A quem esperava um Palmeiras com 80% de posse de bola, goleadas, estética e etc, simplesmente pela qualidade técnica do elenco, “foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou”, como diria o verso de Chico Buarque. O que se pode, afinal, esperar desse Palmeiras: Solidez defensiva, agressividade, pressão constante, verticalidade, concentração e contra ataques muito bem encaixados.

Desde o ano passado que Felipão reclama que há  carência de opções de velocidade pelas pontas no elenco. Sabe-se que ele precisa desse tipo de jogador em sua estratégia de jogo, pois ela se baseia em transições -- logo, a profundidade é essencial. Muito tatiquês? O bigode gosta de um contra-ataque, e jogadores rápidos ajudam a fazer a bola chegar na linha de fundo, permitindo o avanço do time ao campo rival. Os nomes trazidos por Alexandre Mattos foram Carlos Eduardo e Felipe Pires, sabendo que a minutagem deles é curta demais para qualquer tipo de análise mais profunda, pode-se dizer que mostraram boas coisas, principalmente Pires -- Carlos Eduardo sentiu demais o peso do derby, paciência. No mais, com a exceção de Zé Rafael, que jogou poucos minutos contra o Botafogo de Ribeirão, tivemos em campo remanescentes do ano passado. Colocando na conta os poucos dias de pré temporada e o excesso de jogos em janeiro, dá pra dizer que o desempenho do time está em linha com o que eu esperava -- deu pra ver no início desse texto que não criei tantas expectativas. É que os grandes problemas do time estão muito ligados à falta de melhores condições técnicas, que só irão melhorar com os treinos, e principalmente ao decorrer dos jogos. Num país normal, o primeiro mês da temporada é reservado aos treinamentos, e o segundo para amistosos. Os jogos “pra valer” acontecem depois. Há boas razões para isso. O Palmeiras criou muito no clássico, finalizou dezessete vezes dentro da área adversária, mas só acertou um chute no gol. Olhando atentamente para os lances, fica claro que faltou finura nos gestos técnicos, bem como calma e poder de decisão: falhas técnicas. O adversário, como um franco atirador, “achou” um gol em lance de bola parada e cuidou de fechar espaços no restante do jogo. No entanto, com atacantes mais bem preparados, fatalmente ganharíamos, dada a quantidade de chances claras. Digo com toda a convicção que a estratégia de Felipão funcionou. Dudu foi o motor ofensivo da equipe, gerando 8 passes importantes, um número extremamente relevante. Novamente, faltou poder de decisão, faltou técnica para estufar a rede.

Posso concordar que a dificuldade para fazer gols, mesmo criando muito, pode não se resolver com o simples passar do tempo. O Palmeiras precisa de um 9 com mais experiência e capacidade de gerar gols da mínima oportunidade? Creio que sim, principalmente com a delicada e insustentável situação de Deyverson. Também é verdade que a solução para a falta de hierarquia pode estar no meia atacante, e não no centroavante. Ricardo Goulart tem tudo pra se aproveitar desse esquema voltado para transições em alta velocidade. Ele adora correr para a marca do pênalti com espaço, e geralmente não perdoa o goleiro adversário.

Sem expectativas irreais, estou sim, otimista com o time. Seremos competitivos, disso não tenho muitas dúvidas. E é até bom que problemas apareçam em fevereiro, pois é muito mais fácil para buscar soluções. No fim, o caso é não cair na badalação exacerbada de parte da mídia e saber o que se pode cobrar desse time, e principalmente desse técnico. Scolari é um treinador pragmático, busca finalizar as jogadas o mais rápido possível, sem “passes desnecessários”, o Palmeiras realiza um “jogo direto”, e tem na bola aérea um dos seus principais argumentos ofensivos. Nada disso é ruim, por essência. Basta saber entender e julgar com critérios bem definidos.

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