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Qual é a obrigação do Palmeiras?


A manutenção do craque do time, o maior contrato de patrocínio das Américas, a contratação de um astro da bilionária liga chinesa, e o elenco mais valioso do continente. O Palmeiras terá, por todos esses fatores, uma enorme pressão em 2019. Com tudo isso, qual a obrigação do alviverde? O que o clube precisará conquistar para que a temporada seja bem sucedida? Eis a pergunta difícil que esse texto se propõe a responder, com o perdão da presunção.
Para questões tão complexas, é sempre bom recorrer a exemplos internacionais, pois bem. Qual a obrigação de um grande europeu? Adianto, nunca é “ganhar tudo”. Isso simplesmente não acontece, é uma tremenda ilusão. O que ocorre, de fato, são hegemonias domésticas, como Juventus e Bayern em seus países. Só que os contextos desses locais é completamente distinto do que temos no Brasil. O Bayern fechou o ano de 2018 com 629 milhões de euros em receitas, ou 2,7 bilhões de reais. Na Alemanha, o time que mais se aproxima do clube da Baviera é o Borussia, com uma receita de aproximadamente 317 milhões de Euros, a metade. Na Itália, a Juventus ostenta 394 milhões contra 280 da Inter, liderança absoluta. No Brasil, o Palmeiras não é sequer o líder no ranking de receitas. Apesar do patrocínio mais forte, o clube não pode contabilizar os direitos de TV aberta, uma vez que ainda negocia o contrato com o grupo Globo. Mesmo após concluídas as negociações, não há chance da emissora carioca diminuir de forma significativa a diferença do que paga a Fla e SCCP. Por essa e outras razões, não considero razoável pensar em hegemonia plena no curto prazo, tão pouco pensando no futuro.
O que o Palmeiras deve fazer, afinal? Ser competitivo e protagonista em todas as frentes, sempre. Olhando para a história do nosso futebol, e considerando apenas dos anos 1960 pra cá -  quando surgiram os campeonatos nacionais e foi possível ter um parâmetro de comparação - nunca um clube se manteve nessa condição por uma década inteira, exceção feita ao Santos de Pelé e às academias palestrinas. Na década de 60 o Santos venceu nada menos do que seis campeonatos. O Palmeiras levantou a mesma quantidade de canecos, mas de forma mais espaçada, entre as décadas de 1960 e 1970. Do meio dos anos 70 até os nossos tempo, não existiu hegemonia doméstica sequer próxima disso. Os que mais se aproximaram  foram o Flamengo de Zico nos anos 80 e o SPFC de Muricy Ramalho entre 2006 e 2008. Clubes brasileiros, historicamente, tendem a apresentar um ciclo vicioso: Investimentos irreais, fase de títulos, dívidas, crise e tudo novamente. Nessa “brincadeira”, grandes clubes chegaram à beira do abismo nos últimos anos. Dentro desse contexto, a palavra de ordem deve ser: REGULARIDADE. O Palmeiras precisa, sobretudo, planejar uma posição de destaque no longo prazo.
Para não ficar em cima do muro, aqui vai a minha noção de “obrigação” para um clube como o Palmeiras: Ao menos um título de expressão por ano, chegada às quartas-de-final das copas e estar entre entre os quatro melhores na liga nacional. Lembrando, isso é o que eu entendo como mínimo aceitável, e não só ao Palmeiras, para os clubes com nível de receitas acima dos 500 milhões de reais: FLA, SEP, SCCP e SPFC. E os títulos internacionais? Bom, aí creio que o pensamento deve ser por década, mas não estou bem certo. Pensando em Libertadores, dois títulos a cada dez anos estaria de bom tamanho? Lembrando que na história do torneio continental, apenas Boca Juniors (2000), Peñarol (1960) e Independiente (1970) fizeram mais do que isso por década. É óbvio que expectativas e “obrigações” nem sempre se realizam. O que proponho é ter isso como objetivo, como um norte que nos guie a algo próximo das metas -- um pouco a mais, um pouco a menos.
É importante que clube e torcida estejam sintonizados nessa ideia, ou seja, pensar no todo, nos objetivos de longo prazo, e não se desesperar na perda do primeiro título do ano. É sempre bom lembrar que o futebol - e o mercado como um todo - podem mudar de um dia para o outro. As fontes de receitas dos clubes brasileiros devem ficar cada vez mais dinâmicas com o advento do Streaming nas transmissões esportivas, bem como das mais variadas formas de monetização que estão surgindo a cada ano. O clube que se sentir “soberano” e muito a frente dos rivais pode cair na armadilha da acomodação. Assim o SPFC saiu de uma incipiente hegemonia no final da última década, a uma realidade de dez anos na fila atualmente. No mais, desfrutemos. O momento é ímpar na história do clube, grandes coisas estão por vir. Avanti.   

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